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Produtores de leite do Grande Oeste avançam na criação de entidade estadual para fortalecer o setor

Representantes de sete associações de municípios do Oeste, Extremo Oeste, Meio-Oeste, Alto Irani, Alto Uruguai e Noroeste catarinense estiveram reunidos nesta terça-feira, 12 de maio, na sede da AMOSC, em Chapecó, para dar início à estruturação de uma entidade representativa dos produtores de leite de Santa Catarina.

O encontro reuniu prefeitos, gestores municipais, secretários de Agricultura, representantes das associações regionais e produtores da cadeia leiteira, com o objetivo de fortalecer o setor, ampliar a representatividade dos produtores e construir soluções conjuntas para os desafios enfrentados pela atividade no estado.

Participaram da reunião representantes das associações AMEOSC, AMERIOS, AMNOROESTE, AMAI, AMOSC, AMAUC e AMMOC, consolidando um movimento regional amplo em defesa da cadeia produtiva do leite.

Movimento busca fortalecer a representatividade dos produtores

A condução dos trabalhos foi realizada pelo vice-presidente da AMOSC e prefeito de Nova Itaberaba, Marciano Pagliarini, juntamente com o presidente da AMAI e prefeito de Lajeado Grande, Anderson Bianchi.

Durante o encontro, um dos principais temas debatidos foi a necessidade de criação de uma estrutura organizada de representação dos produtores, capaz de ampliar o diálogo institucional e defender os interesses do setor em nível estadual e nacional.

Para o vice-presidente da AMOSC, Marciano Pagliarini, a união entre as associações regionais representa um passo importante para o fortalecimento da atividade leiteira. Segundo ele, a mobilização conjunta tende a ampliar as condições de desenvolvimento da cadeia produtiva e buscar mais valorização e rentabilidade para um produto essencial à economia regional.

Fórum Interassociativo foi acolhido como medida inicial

Entre os encaminhamentos do encontro, o assessor jurídico da AMOSC, Fabiano Porto, apresentou a proposta de criação do Fórum Interassociativo da Cadeia Leiteira, acolhida pelos participantes como uma medida inicial para fortalecer a organização dos produtores e ampliar a articulação regional.

A proposta marca o início de um trabalho coletivo que deverá avançar nos próximos meses, com reuniões regionais, formação de grupos técnicos, levantamento de dados da cadeia leiteira e construção de propostas concretas voltadas à valorização dos produtores e ao fortalecimento da economia regional.

A iniciativa busca unir associações de municípios, lideranças políticas, técnicos e entidades ligadas ao agro em um espaço permanente de diálogo, planejamento e defesa institucional da atividade leiteira catarinense.

Representantes provisórios foram definidos

Para dar início à organização do movimento, foram definidos representantes provisórios de cada associação regional, que terão a missão de conduzir as discussões iniciais em suas regiões, atuar na articulação junto aos produtores e colaborar na construção da futura entidade representativa estadual.

Pela AMEOSC, foram definidos Adriano Tessaro, produtor de leite, e Airton Fontana, secretário executivo da associação.

Também integram a coordenação inicial representantes das demais entidades regionais, formando uma base de articulação que permitirá ampliar o diálogo com os produtores e organizar os próximos encaminhamentos do movimento.

Dados da cadeia leiteira reforçam importância do setor

Durante a reunião, o assistente de pesquisa e mercado da Epagri/Cepa, Valmir Kretschmer, apresentou dados que demonstram a relevância da cadeia produtiva do leite para Santa Catarina, para o Brasil e também no cenário internacional.

Segundo os números apresentados, o Brasil é atualmente o 5º maior produtor de leite do mundo, sendo responsável por cerca de 4% da produção mundial e por 55% de toda a produção da América do Sul. No cenário estadual, Santa Catarina aparece como o 4º maior produtor de leite do país, com participação aproximada de 9% da produção nacional.

A apresentação também mostrou que a cadeia produtiva do leite no Grande Oeste catarinense segue em expansão, mesmo após um período de instabilidade e baixa nos preços pagos ao produtor.

Organização do setor é vista como fundamental

Durante a análise, Valmir Kretschmer destacou que o setor precisa ampliar o debate sobre custos de produção, alinhamento entre os diferentes elos da cadeia e estratégias para ampliar o consumo de leite e derivados em Santa Catarina.

Segundo ele, o crescimento da produção exige ainda mais organização e diálogo entre produtores, lideranças e indústrias, para que o setor consiga enfrentar com mais segurança os desafios relacionados a preços, comercialização e sustentabilidade da atividade.

Lideranças destacam necessidade de estabilidade e valorização

O presidente da AMEOSC e prefeito de Iporã do Oeste, Michel Nedel Barth, destacou que uma das principais preocupações do setor é a insegurança econômica enfrentada pelos produtores, especialmente diante das constantes oscilações de preços.

Segundo ele, é fundamental que os produtores tenham participação efetiva nas discussões sobre preços e custos de produção, buscando mais segurança e estabilidade para continuar produzindo com qualidade.

O produtor de Pinhalzinho e representante da AMOSC, André Balestrini, também reforçou que o movimento busca integrar os produtores e fortalecer toda a cadeia produtiva, tornando a atividade mais organizada e preparada para enfrentar as dificuldades do mercado.

Representando a AMAUC, a produtora de leite e presidente da Câmara de Vereadores de Jaborá, Micheli Mores, destacou a importância de transformar as discussões em ações concretas que ampliem a valorização do leite e do produtor rural.

Movimento segue aberto à participação

A mobilização segue aberta à participação de produtores de leite, lideranças, entidades e representantes da cadeia produtiva interessados em contribuir com a construção da futura entidade representativa estadual.

Com a definição dos representantes provisórios de cada associação, os produtores poderão buscar informações e encaminhar demandas diretamente junto às associações de seus municípios e regiões.

O encontro em Chapecó marcou, assim, um importante passo na construção de um movimento regional e estadual voltado ao fortalecimento da produção leiteira, à defesa institucional dos produtores e à busca de soluções conjuntas para garantir mais segurança, valorização e futuro para o setor em Santa Catarina.