Com severos prejuízos pela estiagem, todos os municípios da Ameosc decretam situação de emergência

Publicado em 04/11/2020 às 11:50 - Atualizado em 04/11/2020 às 11:51

Propriedade no interior de Guaraciaba
Créditos: Divulgação Baixar Imagem

Em situação de estiagem desde junho de 2019, segundo dados do Governo Estadual, Santa Catarina vem necessitando de uma conversa afinada entre os municípios e o Poder Executivo. Durante o período, houveram momentos mais amenos, mas a situação voltou a se agravar em 2020. As regiões mais atingidas são o Oeste, Meio-Oeste, Extremo-Oeste e Planalto Sul.

Nesta terça-feira (3), os presidentes de Associações de Municípios, da Federação Catarinense de Municípios (Fecam) e o secretário de Estado da Agricultura, Ricardo de Gouvêa se reuniram por via online para debater a situação. O prefeito de São José do Cedro e presidente da Ameosc (Associação dos Municípios do Extremo Oeste de Santa Catarina), Plínio de Castro representou os prefeitos dos 19 municípios da região.

Após ouvir os prefeitos, o secretário de Estado da Agricultura, Ricardo Gouvêa destacou que o Governo de Santa Catarina vem realizando ações, incluindo, um fundo financeiro - através da Epagri - para auxiliar os agricultores com valores de até R$ 25 mil de forma individual e de até R$ 50 mil quando em grupo, para posto,s artesianos. Além disso, segundo ele, o Estado também tenta viabilizar recursos junto ao Governo Federal para dispor de óleo diesel para a utilização dos maquinários e do armazenamento da água da chuva nas propriedades por meio da construção de cisternas.

Castro solicitou a agilização do processo de homologação dos decretos de emergência apresentados pelos municípios a fim de que seja possível dentre em breve a busca por crédito e subsídios por parte do Governo Federal. Gouvêa pediu então para que os municípios encaminhem a documentação necessária com dados técnicos para que se agilize a homologação.

“Nós fizemos uma série de reivindicações, em nome dos municípios aqui da região, especialmente em ações a serem demandadas essa semana e emergencial mesmo, para que o Estado disponibilize caminhões, tanques para distribuição, tanto de água bruta, quanto de água tratada para o consumo humano. Que disponibilize para os municípios reservatórios de água de cinco, de 10 mil, de 20 mil”, destaca.

O presidente da Ameosc ainda reivindicou que o Estado disponibilize para os municípios ajuda financeira para manter os caminhões de distribuição e os equipamentos dos municípios, especialmente para custear diesel. Também solicitou ajuda financeira para que os municípios possam terceirizar horas máquina para abertura de bebedouros, ampliação dos reservatórios de água, tudo visando melhorar a disponibilidade de água de animais também.

“Além disso, solicitamos também para que o Estado crie algum crédito emergencial, isso logicamente com a celeridade que a situação merece, até em conversação com o Instituto do Meio Ambiente (IMA), para autorizar retirar água dos rios e dos riachos aonde tem para abastecimento de animais, disponibilizando equipamentos como bombas, mangueiras, reservatórios”, declara.

Durante a reunião, a Epagri Ciram apresentou uma previsão de em média 60 milímetros de chuva até o dia 18 de novembro. Ainda assim, a expectativa ficará abaixo da média nos próximos dias na região. De junho de 2019 para cá, o déficit de chuva já é de 600 milímetros.

“Esperamos celeridade no atendimento por parte da Defesa Civil e do Governo Federal para socorrer os municípios e os agricultores para que possam vencer esse momento de dificuldade”, finaliza Castro.

OS DANOS NOS MUNICÍPIOS

Conforme relatório apresentado pela Epagri Regional, os prejuízos são identificados em todos os municípios. Dos 19 municípios que compõe a Associação, todos já decretaram situação de emergência. Em Anchieta, por exemplo, o plantio das culturas de verão está atrasado e o que foi implantado está com problemas. Em Bandeirante, a queda na produção de leite é de mais de 20 %, sem contar a silagem que já está comprometida. Perdas com milho safra já chegam a 30%. Outras culturas que vem sofrendo prejuízos foram a soja (10%), feijão (30%) e fumo (50%).

Em Barra Bonita, a chuva da última semana não amenizou a situação da estiagem. Por lá, plantios das lavouras estão atrasadas, a germinação e desenvolvimento das culturas comprometidas. Em Belmonte, agricultores estão descartando animais improdutivos em função da baixa disponibilidade de alimentos e água. No município de Descanso as áreas de milho semeadas apresentam danos significativos, algumas comprometidas com necessidade replantio, além de haver também ocorrência de ataque de lagartas.

Em Dionísio Cerqueira, com as últimas chuvas ocorridas houve condição para germinação e desenvolvimento inicial das culturas de verão já implantadas, mas já com prejuízos acumulados em temos de redução na produtividade, o que pode ser agravado caso o déficit hídrico se prolongue. Já em Guaraciaba, o desenvolvimento das culturas implantadas e pastagens foi afetado pela estiagem e deverá ter reflexos na produtividade das mesmas. Há escassez de alimentos para os animais em algumas propriedades.

Em Guarujá do Sul, a estiagem comprometeu o rebrote das pastagens e, na maioria das propriedades, as vacas estão sendo mantidas à base de silagem, ração e feno, feito principamente com aveia do inverno. Em Iporã do Oeste, o cursos d'água no município estão com baixo nível de água. Segundo a prefeitura, o transporte de água está sendo realizado para mais de 80 famílias, principalmente em propriedades maiores, com grande número de animais. No município de Itapiranga, a produção de forragem foi severamente afetada e, devido a esta situação, há aumento no trato dos animais por alimentos conservados (silagens, feno, pré-secado). Além disso, várias lavouras de milho apresentam retardo no desenvolvimento.

Outro município que vem sofrendo prejuízos na região é Mondaí. Por lá, as pastagens perenes de verão estão bastantes prejudicadas, não estão germinando. O gado leiteiro e de corte estão reduzindo sua produção em função da escassez de alimentos. Em Palma Sola, a situação das pastagens é bastante preocupante, principalmente as anuais. A diminuição da produção de leite em propriedades que não tem silagem, é drástica. Ainda persiste a necessidade de abastecimento das famílias.

Em Paraíso, os reflexos também podem ser percebidos. A falta de chuvas tem afetado a qualidade e desenvolvimento das pastagens. O milho plantado germinou mal e algumas lavouras já estão comprometidas. Em Princesa, as lavouras de milho já plantadas estão com baixo desenvolvimento e já se percebe alto ataque de pragas. Quem arriscou plantar mais tarde, está tendo sérios problemas de germinação e o stand de plantas ficou comprometido. No município de Santa Helena, as pastagens de inverno terminaram e as de verão estão com produção abaixo do esperado, sendo necessário uso de muito alimento conservado. Por lá, algumas unidades já enfrentam falta de água para os animais, o que tende a se agravar.

Em São João do Oeste, muitas lavouras de milho estão em pendoamento e com porte mais baixo. Algumas áreas têm semeadura sendo postergada, pastagens com crescimento baixo e lavouras de fumo com desenvolvimento menor. Em São José do Cedro, a maior demanda é para o abastecimento de água para os animais e famílias no interior. Além disso, há o comprometimento do plantio da safra de verão, bem como das pastagens para alimentar a grande bacia leiteira que tem na região.

Em São Miguel do Oeste, o desenvolvimento das pastagens também está bastante comprometido aumentando assim a utilização de alimentos conservados para os bovinos. No município, muitas famílias estão tendo problemas com abastecimento de água, sendo necessária a intervenção da administração no transporte de água para as propriedades. Em Tunápolis, há lavouras em desenvolvimento, no entanto, em alguns casos com germinação irregular. Algumas famílias adiaram o plantio e aguardam as chuvas para fazer o mesmo. No município, os agricultores fazem o transporte de água por conta própria.